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author Software, Open Source, SOA, Innovation, Open Standards, Trends

Pensando Software. Um blog para debater ideias, inovacoes e tendencias da industria de software.



Monday July 07, 2008

Dica de leitura: O Efeito Medici

Acabei de ler um livro excelente, chamado O Efeito Medici, de Frans Johansson. O livro já está traduzido para o português, mas pode-se fazer o download gratuito (pdf) da versão em inglês no site http://www.themedicieffect.com/.

O livro reforça a idéia que quando chegamos a uma interseção de domínios de conhecimento, disciplinas ou culturas, podemos combinar conceitos existentes em um grande número de inovações. Ele cita exemplos bem interessantes e curiosos.

Para Frans o surgimento de interseções deve-se:

a) Ao crescente movimento de pessoas entre países (cita uma frase de Peter Drucker, em que ele diz que “as migrações em massa no século XIX eram ou para espaços vazios não habitados, como EUA, Canadá, Austrália e Brasil, ou do interior para as cidades no mesmo país. Em contraste a imigração no século XXI é de estrangeiros, em nacionalidade, lingua e religião, que se mudam para países habitados”.

b) A convergência das ciências. Cita uma frase de Alan Leshner, diretor da American Association for the Advancement of Science, que diz “a ciência disciplinar morreu. Acabou. A maioria das grandes avanços envolve múltiplas disciplinas e é cada vez mais raro ver trabalhos científicos de um único autor. E frequentemente os multiplos autores são de disciplinas diferentes.”.

c) Salto da computação.

O livro também mostra que:

a) Criar cultura de inovação dá muito trabalho.

b)Criatividade não é inovação. Não basta ter uma idéia. Ela precisa ser valiosa para uma sociedade e também ser realizada.

c) Aceitar a diferença não é o mesmo que difundi-la e estimulá-la. Por exemplo, somente colocar áreas diferentes e repertórios de vida distintos na mesma sala não fará uma empresa inovar. É preciso estimular e ouvir, e muito.

d)Empresas e pessoas falam constantemente de inovação no sentido de revolução, quebra de paradigmas. Mas no dia a dia acabam aplicando a forma mais simples dela, a direcional, que além de não ser nada revolucionária, é efêmera e envolve refinamentos e ajustes em processos e produtos, sem contar que isso os concorrrentes também fazem.

Enfim, é uma leitura instigante (li o livro aproveitando uma viagem Rio-Brasília-Rio) e recomendo sua leitura.



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Jul 07 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Friday July 04, 2008

Mais Cloud Computing

Em 18 de junho participei do IBM Developers Conference. Um dos pontos fortes de eventos como estes são as conversas de corredor, as trocas de informações entre as dezenas de profissionais que você acaba reencontrando. Um dos temas que debati bastante foi Cloud Computing, assunto que está bem na moda, embora ainda esteja compreendido muito vagamente.

E sem querer acabei fazendo uma pequena pesquisa informal. 100% dos colegas com quem conversei sobre o assunto consideram Cloud Computing como uma questão de infra-estrutura de TI. Ouvi frases do tipo : “Cloud Computing é hardware as a service”, “Cloud Computing é infraestrutura de TI hospedado em algum lugar...”, “Cloud Computing é a mesma coisa que utility computing”, “Cloud Computing é simplesmente outsourcing da infraestrutura de TI” e “Cloud Computing é a tão esperada capacity on demand”.

Bem, ainda estamos dando os primeiros passos. Os conceitos ainda não estão absorvidos. Mas foi curioso que ninguém associou Cloud Computing ao conceito de Software as a Service...Como se fossem coisas totalmente distintas. Bem, na minha opinião não são coisas separadas. Cloud Computing vai convergir e envelopar todos os aspectos de TI que possam ser entregues e usados como serviços, sejam estes infraestrutura ou software. E óbviamente SaaS vai fazer parte desta “nuvem”...

Eu acredito quem em mais uns cinco anos Cloud Computing já deverá estar no mainstream dos discursos e ações dos CIOs. Ou seja será visto como como um mecanismo natural para desenvolver e hospedar aplicações.

Ah, e um fato interessante e positivo. Quando se falava em Cloud Computing todos referenciaram a IBM como “master brand” do conceito. Bom sinal!



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Jul 04 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Wednesday July 02, 2008

Schumpeter, Destruição Criativa e Open Source

Outro dia em um destes papo-cabeça estava debatendo com alguns colegas o impacto do Open Source na indústria de software. O modelo que usei para mostrar que Open Source está e estará transformando a indústria de software de software é a análise dos modelos econômicos feita por Joseph Schumpeter (destruição criativa). A sua teoria do ciclo econômico propõe que, para que a economia saia de um estado de equilíbrio e entre em um processo de expansão é o surgimento de alguma inovação, que do ponto de vista econômico, altere consideravelmente as condições existentes de equilíbrio no mercado.

Ele cita como exemplos de inovações que alteram o estado de equilíbrio a introdução de um novo produto no mercado, a descoberta de um novo modelo de produção e/ou de comercialização, e a alteração da estrutura de mercado vigente. Ora Open Source é o próprio processo de destruição criativa em ação: é um novo modelo de produção (colaborativo) e comercialização (explorando a Internet), possibilitando uma estrutura de custos zero de licenciamento. Com esta estrutura de custos tendendo a zero pode-se criar novos modelos de negócio, ampliando as opções e oportunidades de mercado. Open Source abre a possibilidade de exploração de mercados antes inatingíveis ou inexistentes. Um exemplo são as iniciativas Web 2.0, construídas em sua maioria, em cima de tecnologias Open Source. Na minha opinião, dificilmente veriamos tantas start-ups Web 2.0 se as tecnologias que as movem não fossem Open Source.

Assim, Open Source está desafiando o status quo da indústria de software. Sua aceitação pelo mercado já é um fato inconteste. As empresas produtoras de software não podem ignorar este fenômeno. Claro, podem reagir de forma contrária e lutar contra até o último momento, ou entender e explorar de forma positiva esta transformação. Este último caso é exemplificado pela IBM, que trabalha em colaboração com a comunidade há muito tempo. Aqui no blog já debati diversas vezes a estratégia Open Source da IBM (vejam os posts sobre o assunto pesquisando as tags ou categories Open Source).

Para finalizar, recomendo a leitura de um paper muito interessante, “The Transformation of Open Source Software”, acessado em http://www.idi.ntnu.no/~ericm/brian.misq.pdf que mostra o processo de evolução e profissionalização do modelo Open Source.



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Jul 02 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Tuesday July 01, 2008

Google Trends

Um ferramenta interessante é o Google Trends (http://www.google.com/trends), onde voce pode checar o grau de interesse de determinados assuntos ao longo do tempo, segundo os dados de busca efetuados no Google. Tentei Open Source, Web 2.0 e Cloud Computing. Open Source vem diminuindo lentamente ao longo do tempo, porque está deixando de ser novidade. Já Cloud Computing está bombando...O assunto Web 2.0 teve seu pico e agora está se estabilizando.

Testei também Second Life, assunto em franco declínio, mas Virtual Worlds está se aquecendo. O que significa? Provavelmente o assunto Virtual Worlds está saindo do Second Life e se ampliando para outras iniciativas.

Outra opção interessante é o Trends for Websites, onde podemos ver qual a tendência de busca para determinados sites. Tentei Wikipedia (estável), Facebook (crescente) e Flickr (crescente). Curioso é que tentei Gmail, Google e YouTube e ele responde que não existem dados disponiveis...Mas existem dados para Yahoo e MSN...Funny!



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Jul 01 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Monday June 30, 2008

Second Life e Web 2.0 na educação

Sábado estive participando do seminario Second Life na Educação no Rio de Janeiro. Vi mais de 80 pessoas em pleno sábado de céu azul e Sol forte debatendo o assunto, o que demonstra duas coisas: a importãncia do tema e que carioca trabalha sim!

Mas, porque o tema é importante? Na minha opinião as novas (e nem tão novas assim) tecnologias ainda não estão sendo absorvidas polo sistema educacional. Mas, sem sombra de duvidas tecnologias como a Web 2.0 e seu conteúdo gerado pelo usuário e redes sociais, o Second Life, os MMEG (Massively Multiplayer Educational Games) e os próprios celulares afetam e vão afetar de forma radical o ensno.

A Web 2.0 transforma o usuário de simples receptor em produtor de conteúdo. Muitos estudantes usam frequentemente sites como Orkut, Facebook, YouTube, Flickr e outros. Porque não usá-los também na educação? Estas ferrramentas colaborativas extrapolam os limtes das salas de aula e permitem troca de informações não apenas entre os alunos de uma classe mas também com outras escolas, em outros estados e até países. Fazer parte de redes sociais é hoje uma atividade comum a toda esta geração digital. Estão acostumados a colocar suas opiniões, expressar idéias e compartilhá-las. Querem um exemplo? Nos EUA tem um site chamado RateMyProfessors (http://www.ratemyprofessors.com/) que opina, do ponto de vista dos alunos, sobre a atuação dos professores. O que podemos fazer com estas tecnologias no âmbito educacional? Primeiro tornar projetos de pesquisa colaborativos mais atraentes e desafiadores, abrindo oportunidade para participação inter-classes e mesmo colégios. O Flickr pode ser usado por estudantes para organizarem e compartilharem fotos usados em seus trabalhos.Blogs podem e devem ser usados por professores e estudantes. Wikis permitem o desenvolvimento de um trabalho em conjunto, com maior incentivo á colaboração.O YouTube pode ser usado para os próprios alunos gerarem videos de seus trabalhos e os exporem a comentários e avaliações externas.

Os próprios celulares são muito mais que aparelhos para se falar. Eles fazem parte de nossas vidas, e com a rápida chegada da 3G e os recursos de fotos e videos tornam-se ferramentas muito uteis ao ensino.Por exemplo, alunos podem gravar suas visitas a museus e gerar um mini-video do resultado,debatendo o assunto em classe.

O Second Life por permitir um ambiente mais imersivo e tridimensional pode criar espaços educacionais extremamente interessantes. Imaginem o poder do uso da Inetrnet 3D em arquitetura, artes, desenho industrial, etc...O uso de simulações de diversas situações colocam o aluno em contato com uma sensação muito mais proxima da realidade que uma simples aula tradicional. Por exemplo vejam o International Space Flight Museum no Second Life (http://slispaceflightmuseum.org/blog/), totalmente criado e mantido por voluntários. Exemplos deste tipo podem ser criados e mantidos por estudantes de um colégio ou universidade.

Outro exemplo interessante é a versão em Second Life do The Exploratorium (http://www.exploratorium.edu/worlds/secondlife/index.html) museu muito interessante localizado em San Francisco,California.O visitei pessoalmente, mas recomendo a visita virtual pelo SL.

Enfim, o fato é que a Web 2.0 está aí...E as escolas, os professores, o próprio sistema educacional não pode ignorar o que a geração digital já está usando. Adotar estas tecnologias nas salas de aula com certeza será bem mais proveitosa ao aprendizado que o velho sistema tradicional ainda do século XIX que muitas escolas ainda adotam...



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Jun 30 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Friday June 27, 2008

IBM e os mundos virtuais

Sábado agora estarei debatendo o uso do Second Life na educação, em um seminário no Rio. Logo após vou escrever aqui algumas das idéias e sugestões que foram debatidos. Mas, gostaria de falar um pouco da experiência da IBM no uso de virtual worlds e Second Life. Muitos acham que o Second Life é um fracasso e que não vale a pena nem pensar no assunto. Engano...Talvez mostrando um pouco da estratégia da IBM vocês mudem de idéia.

A IBM vem experimentando com virtual worlds há alguns anos. Já em 2006 (http://secondlife.reuters.com/stories/2006/11/09/ibm-accelerates-push-into-3d-virtual-worlds/) anunciava um investimento de dez milhões de dólares em projetos experimentais de mundos virtuais ou Internet 3D.

De lá para cá muita coisa aconteceu e vem acontecendo. As iniciativas de mundos virtuais da IBM (e esta é uma primeira lição para quem quer se aventurar neste cenário) não são desenhadas e controladas centralizadamente,mas sim por uma associação (Virtual Universe Community), hoje com mais de 6000 membros, com atuação voluntária, que discute e direciona as ações na Web 3D. Na Wikipedia tem um pequeno resumo do que é esta associação (http://en.wikipedia.org/wiki/IBM_Virtual_Universe_Community).

A VUC dá orientações e direcionamentos de forma geral, mas os projetos pipocam livremente pela empresa. Estamos em uma fase de experimentação e seria muito limitador que um único setor direcionasse o que poderia e o que não poderia ser feito com mundos virtuais. Afinal, adotamos o conceito de Open Innovation na prática e não apenas na teoria...

Bom, e que já tem sido feito? Um projeto interessante é o 3D Data Center (o anúncio pode ser visto em http://www-03.ibm.com/press/us/en/pressrelease/23565.wss). No YouTube voces também tem um filme mostrando como ele funciona: vejam em http://www.youtube.com/watch?v=j65RkMS9EGY&feature=related. Vale a pena vocês verem o conceito. O 3D Data Center está alinhado com as inciativas do projeto Big Green, de reduzir os gastos com energia pelos datacenters da IBM e seus clientes.

Outro pojeto muito interssante é o BlueGrass, ambiente virtual criado para desenvolvedores, engenheiros e projetistas de software debaterem suas idéias e projetos (http://www-03.ibm.com/press/us/en/pressrelease/23308.wss). Voces podem obter mais informações também em http://domino.watson.ibm.com/cambridge/research.nsf/99751d8eb5a20c1f852568db004efc90/1b1ea54cac0c8af1852573d1005dbd0c?OpenDocument. Este projeto está integrado à comunidade Jazz (www.jazz.net). Para vocês terem uma idéia melhor do que é o BlueGrass, este texto foi extraído de sua definição :

“ Bluegrass project is investigating the use of 3D virtual worlds to support distributed work. Collaborative applications such as Rational Jazz for software development and Lotus Notes for business processes, provide team support for "heads down" work. However, as teams become more distributed, it is important to support "heads up" work--the kind of social interaction that is achieved by seeing people in the hallways when they are collocated. Three principles have guided our prototyping effort. First, we do not want to move people's collaborative applications into the virtual world. Instead, we want to take artifacts from these applications, such as bug reports or work activities, and represent them in the virtual world. Second, we want to avoid walls so that people have much more visibility into the presence and work of people on the distributed team. Finally, we want to support brainstorming with simple creation of objects in the world without requiring heavy, 3D modeling. These objects should also be used to create artifacts in the host collaborative application, enabling people who are not in the Bluegrass world to use them “.

Quem sabe se no futuro a Internet 3D não fará parte da tecnologia Rational?

Mas, continuando, temos também uma experiência bem sucedida no relacionamento com clientes através do Virtual Business Center. Vejam em http://www.ibm.com/virtualworlds/businesscenter/. No site vocês terão acesso a alguns filmes interessantes sobre as diversas iniciativas de virtual worlds.

Em educação e treinamento, temos mais de 50 projetos experimentais que permitem ações imersivas muito mais próximas do mundo real. Por exemplo, vejam o Rehearsal Studio (http://www-03.ibm.com/press/us/en/pressrelease/23798.wss) que possibilita treinar e simular situações de engajamentos com clientes.

Um outro projeto é o Greater IBM Connection (http://www.ibm.com/ibm/greateribm/), que cria uma rede social para funcionários e aposentados da empresa. Esta rede social também tem uma entrada no Second Life, onde os membros podem participar de reuniões e debates de foma mais lúdica. Vejam este filme exemplo no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=F8ysaVdLsyE.

Second Life também é usado para meetings. Descobri um blog de um analista do Forrester Research que descreve muito bem as vantagens de se usar mundos virtuais como escritórios virtuais. É um texto instigante. Leiam em http://blogs.forrester.com/information_management/2008/02/virtual-offices.html.

A conclusão dele é: “My prediction: forward-thinking organizations will put virtual environments like this in place during the next few years. Their employees will develop relationships that strengthen their feeling of belonging to a larger organization and sharing an important mission. Employees’ loyalty to the company will increase, and this will lead to easier employee recruiting and longer retention. Distributed workforces will begin to share ideas and learnings in ways that just weren’t possible without this technology. For example, they will meet in the virtual world to build, share, and collaborate on 3D prototypes of physical or theoretical objects. In organizations that are re-orienting themselves toward pervasive innovation, the use of virtual worlds will lead to a long-term competitive advantage”. Concordo!

Hoje a IBM deve ter uns 15.000 avatares e incentiva seus funcionários a experimentarem a Internet 3D, e existem, claro, guidelines que orientam a utilização dos mundos virtuais (vejam em http://domino.research.ibm.com/comm/research_projects.nsf/pages/virtualworlds.IBMVirtualWorldGuidelines.html).

Bem, e que recomendações podemos fazer às empresas que desejam entrar neste fascinante mundo da Internet 3D?

Primeiro, nao mergulhem a fundo apenas no Second Life. É o mais conhecido ambiente 3D, mas não é o único e não podemos ter certeza que estará conosco nos próximos anos (pelo menos, esta é minha opinião pessoal!). Não esqueça que a Web 3D ainda é um ambiente experimental e que estamos no início de sua curva de aprendizado. Aceite suas limitações, riscos e maior incidência de erros. Deixe um pouco de caos acontecer...Controles excessivos serão limitadores de criatividade e inovação. E experimente. Não se aprende a nadar vendo filmes em DVD de nadadores campeões!



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Jun 27 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Tuesday June 24, 2008

Open Innovation & Open Source

Semana passada participei de um painel de debates em um seminário sobre Open Innovation, com o próprio Henry Chesbrough, autor do livro “Open Innovation: the new imperative for creating and profiting from technology”. Só para lembrar, o conceito de Open Innovation quebra o paradigma tradicional da P&D feito a portas fechadas, por uma única empresa. Este conceito trata a P&D como um sistema aberto onde tanto idéias externas e internas são debatidas e as melhores alternativas são selecionadas. No livro ele dedica um capítulo especial à IBM, onde descreve a transformação da empresa em sair do tradicional modelo de inovação fechado para o modelo Open Innovation. Em breve vocês poderão ver os slides apresentados e os vídeos dos painéis de debates no site www.openinnovationseminar.com.br. O livro é uma excelente fonte de referência para o assunto Open Innovation e deve ser lido por todos que estejam interessados em debater inovação em suas emrpesas.

A IBM indiscutivelmente é um case de sucesso na transformação para o modelo Open Innovation e vale a pena vocês lerem o capítulo que descreve o processo. Chesbrough diz que “IBM’s transformation demonstrates that even very large, very successful companies can learn new tricks.” E que “The Open Innovation approach requires IBM to focus on the value chain of its customers, rather than sticking with its traditional research heritage.” E também “Instead of reinventing wheels, IBM uses them to build new vehicles for its customers and makes money doing it.”.

Infelizmente, no evento, não pudemos debater em profundidade o assunto Open Source, mas quero discutir este tópico aqui no blog. O modelo Open Source é um exemplo claro do modelo de inovação aberta, pois envolve colaboração entre empresas, comunidade de desenvolvedores, clientes, etc. E este modelo tem impactado a indústria de software, obrigando a revisão dos antigos e tradicionais modelos de negócios, usados há pelo menos 25 a 30 anos.

O modelo Open Source difere do modelo tradicional em basicamente dois aspectos: o processo de desenvolvimento, que é essencialmente uma produção colaborativa e a filosofia de propriedade intelectual, que permite a livre distribuição do código fonte, bem como o direito de modificá-lo.

Open Innovation com Open Source pode se dar de várias formas. Podemos identificar o modelo de “Pooled R&D”, típicamente representado pelos projetos Linux e Mozilla, onde diversas firmas (a IBM é uma delas) e a comunidade pesquisam e desenvolvem o software de forma colaborativa. Outro modelo é o Spinout representado pelo Eclipse. A IBM criou o projeto Eclipse doando código e propriedade intelectual e apoiando financeiramente a Eclipse Foundation.

A importância do Eclipse na indústria de software pode ser medido por alguns comentários publicados na midia, como o InfoWorld de janeiro de 2006 que disse “..the Eclipse open source tools platform has come into its own, emerging as both an alternative to Microsoft...in the application development space and the de facto standard for developing Java”. Outros textos que valem a pena citar “Eclipse has won, what next for Eclipse”, dito pelo analista Carl Zetie do Forrester Research e “This year we find that six in ten respondents use Eclipse as their primary IDE…”, publicado a partir de pesquisa com desenvolvedores, efetuada pelo Evans Data, em setembro de 2006.

Mas, porque o Eclipse faz tanto sucesso? Ele é um exemplo prático e bem sucedido do modelo de Open Innovation, onde empresas concorrentes podem criar redes de inovação, cooperando no desenvolvimento de softwares Open Source, que servirão de base para produtos específicos (proprietários), com os quais concorrerão no mercado. O Eclipse é aberto a todos, sob as mesmas regras. Não existem regras que excluam ou minimizem a participação de quaisquer contribuidores, mesmo que eles sejam concorrentes diretos entre si. Todas as discussões e deliberações dos projetos são transparentes a todos, abertos e públicos. O processo que governa os projetos Eclipse é meritocracia: quanto mais você contribui, mais responsabilidade pode obter.

O sucesso do Eclipse, é portanto, não apenas fruto de uma comunidade Open Source vibrante e atuante, mas também de um ecossistema saudável onde empresas de software (concorrentes ou não) trabalham juntos na criação de uma plataforma que servirá de base para seus produtos e serviços. Em resumo, as empresas cooperam na construção da plataforma e competem em produtos específicos, construídos em cima desta mesma plataforma.

Mas existem outros modelos de Open Source baseado em Open Innovation, como o modelo de venda de componentes, como exemplificado pelo Apache e o KDE, e o baseado em estratégias “dual licence”como MySQL.

O modelo Open Source é um belo exemplo de como empresas podem atuar em ecossistemas complexos combinando inovações internas e externas e provavelmente poderá servir de inspiração à adoção do modelo de Open Innovation por outros setores de negócios.



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Jun 24 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Friday June 20, 2008

Quem está usando blogs corporativos?

Em uma conversa informal, destas típicas de espera em aeroporto (conversas longas de 2 horas...), fiquei debatendo o assunto blogs corporativos com um amigo meu, executivo de TI de uma grande empresa. Ele estava perguntando “será que as empresas estão realmente usando blogs corporativos?”. Intuitivamente minha resposta era não, mesmo porque alguns meses atrás (em março) escrevi um post sobre o assunto e descobri que as empresas fugiam de blogs corporativos como o diabo da cruz...Mas graças ao wireless fomos testar a tese e passamos um tempo navegando por alguns sites de grandes empresas brasileiras. Não pesquisamos todas as empresas, é claro...mas a amostragem foi razoável. E a resposta foi definitivamente não!

A maioria das empresas não tem blogs corporativos ou se tem estão tão escondidos que não os achamos....

Bem, algumas empresas tem blogs corporativos, mas a maioria é bem ruinzinha...mantém os mesmos hábitos dos antigos sites da Web 1.0, ou sejam, blogs que falam mas não ouvem. Tem conteúdo árido, emulam as informações da área de relações públicas, falam de produtos e serviços sob ótica comercial, não incentivam o diálogo e nem abrem espaço para uma maior participação do leitor. O resultado é que a maioria nem recebe comentários. E alguns nem permitem comentários... A idéia que passam é que não se importam com que o leitor pensa. Estão no paradigma da empresa inside-out, ou seja, a empresa fornece informações que quer passar e não as que o mercado quer saber. Um blog corporativo deveria mudar o pensamento e ser um outside-in, aquele que busca um diálogo com o público, respondendo aos comentários (mesmo aos incômodos) e incentivando o dialogo. E por que não provocar debates? Aliás, não vi nenhum que tenha a proposta de assumir posição de thought leadership para o mercado...

Outra coisa que identificamos é que a experiência do usuário com o blog não é das mais prazeirosas. A pesquisa por algum tema não é fácil. Alguns blogs, principalmente de empresas de tecnologia contém milhares de densas páginas de conteúdo. O próprio site de blogs developerWorks da IBM tem algumas deficiências. Meu amigo me chamou atenção que as pesquisas disponíveis são por popularidade, titulo ou nome. Existe também um mecanismo de pesquisa por alguma palavra chave, mas sentiu a ausência de um “tag cloud” para facilitar a pesquisa por determinado tópico de interesse.

Bem, o que concluimos desta pesquisa informal? A maioria das empresas ainda não tem blogs corporativos e se algumas poucas tem, estão na fase de aprendizado, cometendo mais erros que acertos. Mas, pelo menos estão tentando. Ponto para elas. Infelizmente, o ambiente corporativo ainda está distante deste novo mundo. Muitos executivos ainda não entenderam que todo este processo de inteligência social está provocando profundas transformações no modelo econômico, com os meios não materiais, como idéias, informações e conceitos passando a ser tão ou mais importantes para a geração de valor quanto os meios tradicionais (capital, matéria-prima, energia e trabalho).Portanto, a principal razão para a escassez de blogs corporativos talvez seja que os executivos ainda não entenderam o potencial dos blogs como meio de comunicação com seu público. Sem executivos que se proponham a ser sponsors, não tem blog corporativo...

O que uma empresa deve fazer para ter um blog corporativo? Como o vôo atrasou mais meia hora, deu tempo para pensar e digitar algumas sugestões:

a) O blog corporativo deve ter um claro e específico objetivo. Trate o blog com carinho e atenção e não com algo secundário, que tem que ter porque outros o têem.

b) O blog é uma tecnologia social que só funciona quando o usuário é engajado no processo. E para isso ele precisa ter diálogos e informações ricos em conteudo.

c) O blog pode ser provocativo…Pode provocar reação do usuario quanto a temas de interesse da empresa. Mas deve-se tomar cuidado com o tipo de usuário que o blog está se comunicando. Uma comunidade jovem e rebelde vai se manifestar de forma diferente de uma comunidade de usuários mais seniores…

d) Mantenha o blog sempre atualizado. E responda aos comentários, por mais incômodos que eles sejam. Não ignore o valioso feedback que os comentários estão provendo!

e) Escolha um nicho para o blog. Falar de tudo dificilmente vai gerar interesse sustentável. Defina se vai ser um blog de thougth leadership ou simples apontador para links sobre o tema. Escolha se será intimista ou formal…

f) Facilite a Navegação. Crie “tag clouds”. Use fotos, videos e mídias que gerem maior interesse e provoquem uma experiência mais agradável ao usuário. Acessar o blog deve ser um prazer.

g) Seja franco, honesto, autêntico e aberto. Não use estagiário para se passar pelo presidente…

h) Não crie mecanismos de censuras. Se o funcionário não merecer confiança, não deverá ter blog oficial. Se tem permissão para escrever um blog corporativo é porque merece confiança e portanto ele saberá discernir o que pode ou não colocar no post.

i) Visite outros blogs. Sempre existem boas idéias que podem ser adaptadas.

j) Vá em frente e comece seu blog corporativo!



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Jun 20 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Wednesday June 18, 2008

Quebrada a barreira do petaflop

A IBM anunciou a entrada em operação do RoadRunner, supercomputador instalado no Laboratório Nacional de Los Alamos e pertencente ao Departmento de Energia dos EUA. Vejam maiores detalhes em http://www.ibm.com/ibm/ideasfromibm/us/roadrunner/20080609/index.shtml e http://www-03.ibm.com/systems/deepcomputing/rr/index.html. Em http://www.computerworld.com/action/article.do?command=viewArticleBasic&articleId=9084979 vocês tem acesso a uma entrevista com Don Grice, engenheiro chefe do projeto.

O RoadRunner conecta 6,948 chips dual-core AMD Opteron™ e 12,960 processadores PowerXCell 8i. Maquinão!

Esta é a primeira máquina a atingir a marca de um petaflop, que corresponde a mil trilhões de instruções por segundo. Ou um quatrilhão de instruções por segundo. Só para lembrar, FLOP significa Floating Point Operations per Second. O RoadRunner desbanca o BlueGene/L, também da IBM que ocupava a liderança dos supercomputadores desde 2004, com seus 478 teraflops. A marca do teraflop só foi ultrapassada há apenas onze anos atrás.

A lista mais atual feita pela organização Top 500 (www.top500.org) acabou de ser liberada agora em 18 de junho no Supercomputing Conference (ISC08) que está acontecendo em Dresden, Alemanha.

A lista indica:

Em primeiro ligar o RoadRunner com 1026 petaflops. Em segundo o BlueGene/L com 478 teraflops e logo depois o BlueGene/P ambos da IBM com 450 teraflops. Em quarto o SunBlade da Sun com 326 teraflops e em quinto o Cray XT4 com 205 teraflops. A lista completa está em http://www.top500.org/lists/2008/06. Dos Top500, a IBM aparece com 42% dos supercomputadores.

Ah, e como recordar é viver, a história dos supercomputadores da IBM:

1944 IBM introduces the Mark I, the first machine that could execute long computations automatically.

1954 The IBM Naval Ordinance Research Calculator (NORC) was a one-of-a-kind first-generation vacuum tube computer built for the U.S. Navy Bureau of Ordinance.

1958 The AN/FSQ-7 was built by IBM with the U.S. Air Force for command and control functions.

1961 The IBM 7030, also known as Stretch, was used by Los Alamos and was the fastest computer in the world.

1994 A massively parallel IBM SP2 at the Cornell Theory Center was the fastest general purpose computer in its day.

1997 “Deep Blue” defeats Garry Kasparov to become the first machine to beat a human chess champion.

1999 IBM researchers begin “Blue Gene” project.

2000 IBM delivered ASIC White to the U.S. Energy Department, a system powerful enough at the time to process an Internet transaction for every person on Earth in less than a minute.

2002 IBM announces plans to build ASCI Purple, the world‘s first supercomputer capable of up to 100 teraflops, more than twice as fast as the most powerful computer in existence at the time.

2004 IBM Blue Gene supercomputer officially claimed the top spot as the world‘s most powerful supercomputer.

2005 IBM launched the world‘s most powerful privately owned supercomputer, the Watson Blue Gene system, nicknamed BGW.

2006 IBM collaborated with the NNSA and the U.S. Department of Energy Office of Science to share a five year, $58M R&D effort to further enhance the capabilities of supercomputing.

2007 IBM announces Blue Gene/P – three times faster than its predecessor.

E por curiosidade um Gigaflop custava em 1961 cerca de um trilhão de dólares. Já em 2007, no PlayStation 3 da Sony que tem embutido o processador Cell da IBM, o custo por Gigaflop caía para meros 20 centavos de dólar. Vejam em http://en.wikipedia.org/wiki/FLOPS para mais alguns dados curiosos sobre o assunto. E a próxima fronteira depois do petaflop (dez elevado a quinze zeros)?...Provavelmente em alguns anos veremos barreira do exaflop (dez elevado a 18 zeros) ser quebrada!



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Jun 18 2008, 08:00:00 AM BRT Permalink



Tuesday June 17, 2008

A Internet como incubadora de inovações

A Internet é um foco inesgotável de inovações. A cada dia me surpreendo com idéias inovadoras, muitas delas absolutamente fantásticas. Por exemplo, está saindo do prelo uma nova fornada de sites de geração de vídeos que tem o potencial de ameaçar o futuro das redes de televisão abertas tradicionais. Com um celular moderno, um acesso à Intenet em alta velocidade e uma conta em um serviço como o Qik, um torcedor pode transmitir um jogo ao vivo! Sem passar pela redes de TV! O Qik é um site feito exclusivamente para a trasmissão de vídeos por celular. Vejam em http://qik.com/.

Mas existem outras iniciativas nesta área. Vejam o Mogulus (www.mogulus.com) que oferece recursos para os produtores de vídeo enriquecerem seus vídeos, o Justin (www.justin.tv) e o Ustream (www.ustream.tv ). Visitem os sites e vejam vocês mesmo o que tem de novidades!

Mas não é só. Surgiu recentemente um site de rede social voltado a celulares, que é o Nimbuzz (www.nimbuzz.com). Outra rede social interessante é o www.geni.com, que cria sua árvore genealógica! E se vocês quiserem transformar arquivos PDF em livretos usem o Booklet Creator (www.bookletcreator.com).

Isto tudo mostra que a Internet é a industria mais competititiva e inovadora da história da humanidade...Acompanhar de perto o que está acontecendo na Web é um desafio...As inovações acontecem a cada momento e muitas delas tem o potencial de causar disrupção em modelos de negócios já estabelecidos...

Minha recomendação: sejam “Web watchers” e extraiam dela inovações que poderão trazer vantagens signficativas em seus negócios, quaisquer que sejam eles.



Categories : [   inovacao  ]

Jun 17 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Monday June 16, 2008

Um pouco mais de Cloud Computing

O tema Cloud Computing está ficando mais e mais popular…Mas, ainda existe muito desconhecimento e incertezas quanto ao seu conceito e potencial de uso. Aqui no meu blog já escrevi alguns textos (vejam as tags Cloudcomputing), mas entendo que seria interessante fazer uma apanhado mais abrangente de alguns textos que circulam na Web sobre o assunto. As referências à IBM vocês encontram nos posts mencionados anteriormente e queria aqui trazer fontes adicionais de informação.

Bem, uma primeira fonte é o Wikipedia. É um texto incipiente, mas já é um ponto de partida. Traz uma bela série de links a outros textos, inclusive uma relação de blogs que se especializam no tema. Vejam em http://en.wikipedia.org/wiki/Cloud_computing. E falando em blogs, acessem http://technorati.com/tag/cloudcomputing para lerem alguns posts interessantes sobre o assunto.

Muitos analistas de indústria já estão olhando Cloud Computing com atenção. Por exemplo, a Forrester Research em um recente relatório disse “Cloud computing looks very much like the instantiation of many vendors' visions of the data center of the future; it's an abstracted, fabric-based infrastructure that enables dynamic movement, growth, and protection of services that is billed like a utility. It also has all the earmarks of a disruptive innovation: It is enterprise technology packaged to best fit the needs of small businesses and start-ups--not the enterprise". O Gartner Group em um recente artigo, publicado em http://www.technewsworld.com/rsstory/59717.html também fez alguns comentários interessantes. O IDC disponibiliza um video, Predictions 2008, em http://www.idc.com/research/predictions08.jsp onde Cloud Computing é citado.

Também vocês podem ouvir uma série de palestras apresentadas no Workshop “Computing in the Cloud”, realizado na Princeton University. Vejam http://citp.princeton.edu/cloud-workshop/#panel1.

Enfim, o assunto Cloud Computng merece atenção. Jornais de negócios como o New York Times (http://www.nytimes.com/2007/10/08/technology/08cloud.html?_r=4&ref=technology&oref=slogin&oref=slogin&oref=slogin&oref=slogin), Wall Street Journal (http://online.wsj.com/public/article/SB119180611310551864-55slpWwDncT1vmG_6OJJdxxeF4E_20071107.html?mod=tff_main_tff_top) e Business Week (http://www.businessweek.com/print/magazine/content/07_52/b4064048925836.htm) também estão escrevendo sobre o assunto.

O que concluímos? No mínimo devemos acompanhar com atenção a evolução do conceito e das tecnologias de Cloud Computing para não sermos surpreendidos com o CEO indagando “qual é mesmo nossa estratégia para Cloud Computing?”. E não termos resposta...



Categories : [   Cloudcomputing  ]

Jun 16 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Thursday June 12, 2008

IBM Developers Conference 2008

Em 18 de junho teremos em São Paulo um dos mais importantes eventos da IBM no Brasil, o Developers Conference 2008. Estarei lá, fazendo dupla com meu amigo Jomar Silva, diretor da ODF Alliance falando de Open Computing. E Jomar vai debater a questão dos padrões abertos de dcoumentos, comentando o debate ODF versus OpenXML.

Para se inscreverem, basta acessar o site www.ibm.com/br/navcode e inserir o código IBMDC2008.

Bom, mas porque o tema Open Computing? Estamos vivendo o momento da Open Revolution, impulsionada pela Internet. Embora a Internet não tenha mudado todos os aspectos da nossa vida, ela com certeza mudou e de forma permanente, algumas coisas fundamentais. Uma destas mudanças é a forma como criamos e compartilhamos conhecimento. Com a Internet, a aquisição de conhecimento deixou de ser um processo linear, com as descobertas de um inventor sendo disponibilizadas apenas quando publicadas por alguma revista cientifica, para ser um processo colaborativo e em tempo real, independente de localização ou restrição geográfica.

No cerne desta mudança na forma de criar e compartilhar conhecimento está o conceito de “openness”. A IBM adota o termo Open Computing (vejam http://www.ibm.com/developerworks/products/newto/open.html). A computação aberta típicamente inclui Open Standards, Open Architecture (baseada em SOA) e Open Source. Mas vai além...Temos o Open Hardware, que começou quando, em 2004, a IBM abriu as especificações do processador Power (vejam http://www.power.org). O Open Hardware está se disseminando e outras iniciativas estão seguindo este caminho, como a da Sun Microsystems que criou o Open Sparc em 2006 (http://www.opensparc.net/).

O conceito de “openness” inclui também Open Development, onde algumas iniciativas de desenvolvimento aberto para celulares se destacam como a LiMo (Linux for Mobile) Foundation (http://www.limofoundation.org/), Open Handset Alliance, criada pelo Google (http://www.openhandsetalliance.com/), Moblin.org lançado pela Intel (http://www.moblin.org/) e a Gnome Mobile & Embedded Initiative (http://www.gnome.org/mobile/). Todas estas iniciativas baseiam seu desenvolvimento na plataforma Linux. Para mim está ficando nítido que o Linux será o ambiente operacional por excelência dos celulares e outros dispositivos móveis.

Mas continuando com a Open Revolution, temos o Open Content cujo ícone é a iniciativa chamada Creative Commons (http://creativecommons.org/), Open Data (disponibilizar dados não textuais, geralmente científicos, como genoma e mapeamentos) e Open Access, que busca disponibilizar e compartilhar dados científicos. Sugiro a leitura do Budapest Open Access Initiative (http://www.soros.org/openaccess/read.shtml) para uma visão mais detalhada desta iniciativa. Para termos uma idéia de como o conceito de disponibilizar livremente informações científicas tem se disseminado, acessem o Directory of Open Access Journals (http://www.doaj.org/), que lista 1161 publicações, disponibilizando livremente mais de 187.000 artigos.

E para termos uma visão melhor da imprtãncia da computação e padrões abertos, sugiro dar uma olhada no documento chamado “The Hague Declaration” (http://www.digistan.org/hague-declaration:en) criado por um grupo internacional chamado Digistan (Digital Standards Organization). Olhem alguns extratos do documento:

a) Considering that all countries are moving, at different rates and from different starting points, towards a society in which full and effective participation in government and society, and access to public services, education and opportunity, are increasingly dependent upon access to electronic communications;

b) Considering that the benefits of the Intenet may only be guaranteed, and our hard-won human rights may only be preserved as we make the transition to a digital society, by ensuring affordable, equal access to the Internet, and if the openness of the Internet is also preserved;

c)Considering the unique role that free and open digital standards can play in ensuring this result by fostering competition and innovation, lowering costs and increasing choice;

d)Considering that governments, through example and procurement, are uniquely able to ensure that all people achieve the benefits that free and open digital standards can provide;

e)Considering that these benefits are of particular importance to the economically, socially, and geographically disadvantaged peoples of the world;

f)Considering that there is increasing consensus on the attributes of a free and open digital standards;

We call on all governments to:

a) Procure only information technology that implements free and open standards;

b) Deliver e-government services based exclusively on free and open standards;

c)Use only free and open digital standards their own activities.

Faz muito sentido, não? Ok, espero vocês no evento para debatermos um pouco mais este assunto.



Categories : [   ODF  |  OpenStandards  |  OpenXML  ]

Jun 12 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Monday June 09, 2008

I Congresso Second Life na Educacao

Dia 28 de junho estarei participando do I Congresso Second Life na Educação, no Rio de Janeiro. Acessem www.sleducacao.com.br para maiores informações. Será um evento muito interessante e acredito que poderemos quebrar alguns paradigmas quanto ao uso dos mundos virtuais.

Como prévia para o debate no Congresso, vou aproveitar um post que levantei há algum tempo atrás abordando este assunto e vou tomar a liberdade de republicá-lo.

Há 30 anos o escritor Alvin Toffler previu em seu livro “O Choque do Futuro” que o século 21 seria sacudido por um novo modelo produtivo, a sociedade “pós-industrial”, em que a tecnologia e a sobrecarga de informações ditariam as regras do novo jogo. Em seu novo livro, “A Riqueza Revolucionária”, ele afirma que já saímos do antigo modo de produção fabril e entramos em uma nova economia, baseada em conhecimento. Para ele o conhecimento será o mais importante recurso econômico do futuro e que educação será o mais importante investimento a ser feito. Ele toca em um ponto fundamental : é preciso de livrar da educação em estilo industrial, onde as crianças e adolescentes são treinadas num tipo de disciplina exigido nas indústrias. Ele diz que as escolas seguem um modelo fabril, pré-moldado e cita, por exemplo, a pontualidade, que é inerente ao modelo fabril. Numa fábrica o atraso de um funcionário compromete toda a linha de montagem, mas em uma economia baseada em conhecimento isto é simplesmente supérfluo.

Toffler afirma que as escolas atuais atendem as necessidades de uma economia industrial e que quando terminam os estudos, os jovens estão disciplinados para o trabalho em fábricas. Mas este não será o tipo de emprego da economia do conhecimento. É necessário uma grande dose de inovação e criatividade, e não todo mundo pensando da mesma forma. Ele cria um termo, diversiment, que é um trocadilho de investment e diversity.

Ora a Internet, a Web 2.0 e os mundos virtuais tem muito a contribuir para este novo modelo educacional, que estimule idéias e criatividade. Claro que existe ainda muita reação negativa e desconfiança, principalmente porque a Web se desenvolve muito rapidamente. Há dois ou três anos atrás ninguém falava em Orkut, Facebook, YouTube, Wikipedia e Second Life. Hoje já fazem parte do nosso dia a dia e são lugar comum para a nova geração digital, que já nasce usando estas tecnologias. Por que não explorar estas tecnologias para tornar a escola mais divertida e menos maçante e repetitiva? Na minha opinião, hoje as crianças e adolescentes aprendem as coisas mais interessantes na Internet e nos games, e não nas escolas!

Os mundos virtuais, como o Second Life, permitem criar condições de ensino muito mais lúdicos e divertidos. Se analisarmos os dados demográficos do Second Life vamos ver que a maioria dos residentes se situa nas faixas de idade em que estão estudando, seja nos primeiro, segundo ou terceiro graus. Ora, em vez de fazer este pessoal navegar por ilhas de escolas e universidades que tentam “vender imagem de modernidade”, e apenas permitem visitas virtuais a seus campi, por que não usar este recurso de forma mais inteligente e criar novos cenários educacionais?

Sugiro uma leitura do paper “ The Horizon Report”, do NewMedia Consortium e Educause, em http://archive.nmc.org/pdf/2007_Horizon_Report.pdf, que cita tecnologias que causarão impacto na educação em um horizonte de um a cinco anos. Cita textualmente conteúdo criado pelo usuario, social computing, celulares, virtual worlds e massively multiplayer educational gaming. Ignorar o impacto que estas tecnologias terão na educação é perpetuar o atraso do modelo educacional atual.

Eu acredito que quando amplia-se a interação com outros alunos, e usa-se a Internet 3D para explorar novas técnicas educacionais, possibilitaremos um maior envolvimento e motivação dos alunos com o estudo.

Ok, e que tipo de uso educacional podemos obter com mundos virtuais? Bem, vamos a uma lista, pequena (que vocês vão preencher com imaginação...), que inclui ensino de ciências da computação, artes, engenharia, arquitetura, ciências sociais, psicologia e assim por diante. A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) dos EUA criou uma ilha virtual para ensinar tópicos como voar no olho de um furacão, observar sinais na praia da chegada de um tsunami (recuo do mar) e observar derretimento de glaciares. Não são experiências passivas, mas os alunos, através de seus avatares, “experimentam a situação” e interagem com instrutores e outros alunos. Uma universidade americana (New Media Program, da Indiana University) incentiva (subsidia) os alunos a comprarem ilhas e darem vazão à sua imaginação. Existe também um programa interessante de intercâmbio cultural onde alunos japoneses e americanos interagem via Second Life por algum tempo e depois se encontram pessoalmente.

Bem, a limitação será a própria imaginação. Vejam o paper “101 Uses for Second Life in The College Classroom”, em http://facstaff.elon.edu/mconklin/pubs/glshandout.pdf. . Depois de ler este texto, fica difícil uma escola ou universidade ficar restrita à ilhas virtuais para simples visitas aos seus campi...

Bem, e se não for suficiente que tal uma leitura dos “Proceedings of the Second Life Education Workshop”, realizada em San Francisco, EUA, em 2006? Vejam em http://www.simteach.com/SLCC06/slcc2006-proceedings.pdf.

Temos que pensar de forma inovadora. O sistema educacional ainda é muito rígido, envolvendo burocracias e legislações complexas e muitas vezes, avesso à inovações. O relatório “Horizon Report” é claro ao afirmar que veremos “significant shifts taking place in scholarship, research, creative expression, and learning, and a profound need for leadership at the highest levels of the academy that can see the opportunities in these shifts and carry them forward”. Em resumo, podemos, com ajuda de tecnologais como mundos virtuais como o Second Life, mudar a realidade de hoje em que as pessoas estão aprendendo mais fora da escola que dentro...



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Jun 09 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Saturday June 07, 2008

Repensando o mainframe!

Uma recente conversa com um colega meu, CIO de uma grande corporação foi emblemática da percepção de muitos executivos quanto aos mainframes. Ele, como muitos outros profissionais é da geração formada durante o movimento de downsizing, que consagrou o modelo cliente-servidor e que considerava “politicamente correto” desligar o mainframe. Nesta época, início dos anos 90, todo e qualquer projeto de consultoria recomendava a mesma coisa: troquem os caríssimos mainframes pelos baratos servidores distribuídos. Claro que muitas decisões de troca foram acertadas, mas muitas outras se revelaram inadequadas. O custo de propriedade de ambientes distribuidos se mostrou muito mais caro que se imaginava.

Há tempos fiz um pequeno exercício onde analisei informalmente uma empresa que houvesse desligado o mainframe no início dos anos 90 e quanto gastou em TI com seu ambinete distribuído, considerando todos os fatores que envolvem o TCO. Comparei com a alternativa de manter do mainframe (evoluindo com novos modelos) e claro, com um consequente uso bem mais restrito de servidores distribuídos. O ambiente 100% distribuído consumiu em 15 anos mais dinheiro que a alternativa de se manter um ambiente mixto.

É verdade que o custo de hardware há 15 anos atrás era destacadamente o maior do orçamento de TI. Hoje não é mais. Mas a percepção quanto ao mainframe continua. Fiquei surpreso em ver o quanto de desconhecimento da evolução dos mainframes ele tinha. E, tenho certeza, não é só ele...Para muitos o mainframe é apenas um velho repositório de aplicações Cobol e PL1, tripulado por profissionais à beira da aposentadoria...Bem, ele se mostrou interessado quando falei que parcela substncial do crescimento de receita da IBM com mainframes vem de novos workloads, baseados nos chamados “specialty engines”, processadores especializados para determinadas tarefas.

Mostrei que no contexto atual, o movimento de consolidação e virtualização dos data centers estão abrindo novas portas para o mainframe. O TCO para se gerenciar um parque de centenas ou milhares de servidores é altíssimo, acrescido agora da variável energia, que vem aumentando ainda mais os budgets das áreas de TI. E os “specialty engines”, o IFL (Integrated Facility for Linux), o zAAP (System z Application Assist Processor) e o zIIP (System z Integrated Information Processor) tem aberto vários caminhos para tornar o mainframe a opção prefencial para o processamento de novos aplicativos! Estes processadores tiram a carga dos processadores principais, otimizando a capacidade computacional da máquina.

O IFL, por exemplo, surgiu em 2001 e é usado para consolidar centenas de servidores Linux distribuídos pelos cantos da empresa em uma única máquina. O Linux no mainframe consegue explorar todas as características únicas do hardware como sua reconhecida confiabilidade, construída por features como processadores redundantes, elevados niveis de deteção e correção de erros e conectividade inter-server de altissima velocidade. O nível de disponibilidade do ambiente operacional do mainframe é muito maior que dos sistemas distribuidos. E abrir uma máquina virtual Linux em um mainframe leva alguns minutos, enquanto que comprar, instalar e configurar um servidor distribuido pode levar semanas.

O zAAP apareceu em 2004 e é orientado a rodar aplicações Java. Com este engine, as aplicações Java, que consomem muita CPU, são executadas fora dos processadores principais, os liberando para outras atividades. E o que é melhor, a aplicação não precisa ser alterada para rodar no zAAP. Um resultado positivo é a redução do número de stacks de programação TCP/IP, firewalls e interconexões físicas (e suas latências…) que são requeridas quando os servidores de aplicação e de data bases estão em máquinas separadas.

E o zIIP, que foi lançado em 2006, volta-se para o processamento de aplicações baseadas em banco de dados. O zIIP permite centralizar mais facilmente os dados no mainframe, diminuindo a necessidade de se ter múltiplas cópias espalhadas por dezenas de servidores. Com o zIIP o mainframe torna-se o data hub da empresa.

Bem, questionado quanto a citar alguns aspectos positivos da consolidação lembrei a ele: menos pontos de falha, eliminação da latencia de rede, menos componentes de hardware e software para gerenciar, uso mais eficiente dos recursos computacionais, melhor gestão de cargas mixtas batch e transacionais, maior facilidade de diagnósticos e determinação/correção de erors, recovery/rollback muito mais eficiente... O resultado? Um melhor TCO!

Interessante que uma vez criada uma percepção, tona-se dificil mudar as idéias. Olhar o mainframe sob outra ótica é uma mudança de paradigmas e mudar paradigmas não é facil. Paradigma é como as pessoas vêem o mundo, ele explica o próprio mundo e o torna mais compreensível e previsível. Mudar isso exige, antes de mais nada, quebrar percepções arraigadas. Mas, por que não repensar o mainframe? Um estudo de TCO pode mostrar que talvez as idéias e hábitos que tem mantido a TI da companhia nos últimos anos não sejam tão mais válidos assim...



Categories : [   mainframe  ]

Jun 07 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink

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